Este blogue é dedicado ao povo português ao MFA e muito especialmente ao único primeiro ministro de Portugal que foi verdadeiramente amigo do povo:

- O GENERAL VASCO GONÇALVES.

Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Hoje estamos em greve

Aqui estamos de greve...
 

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Domingo, 27 de Maio de 2007

21 de Julho de 2003

General Vasco Gonçalves condecorado
 com a Ordem "Playa Girón"

O Embaixador de Cuba em Portugal, Reinaldo Calviac, condecorou ontem o General Vasco Gonçalves com a Ordem "Playa Girón", uma das mais altas distinções da República de Cuba. A cerimónia decorreu dia 9 de Julho, nas instalações da Embaixada, com a presença de numerosos amigos e admiradores do líder mais consequente da Revolução Portuguesa de Abril de 1974.
A decisão de agraciar o Gen. Vasco Gonçalves com a Ordem "Playa Girón" fora tomada pelo Conselho de Estado da República de Cuba.
Segue-se o texto do discurso pronunciado na ocasião pelo Gen. Vasco Gonçalves:


Senhor Embaixador da República de Cuba
Minhas senhoras e meus senhores
Meus amigos

Em Maio de 2001, estando presente nesta Embaixada o Presidente da República de Cuba Fidel Castro, senti-me sobremaneira honrado ao saber, pela leitura feita pelo Senhor Embaixador, de uma carta do Ministro das Forças Armadas Revolucionárias, General de Exército Raul Castro, que o “Conselho de Estado da República de Cuba, por proposta do seu Presidente decidira conceder-me em comemoração pelos meus 80 anos, uma das mais altas condecorações que outorga o Estado Cubano, a Ordem da Playa Girón, a qual se entrega (são os termos da comunicação) a cidadãos cubanos e estrangeiros, e a Chefes de Estado e de Governo, que se destaquem extraordinariamente na luta contra o imperialismo e as forças da reacção e por grandes actos a favor da paz e do progresso da humanidade.”

Cito estes termos e, do mesmo passo, desejo dizer-vos que esta condecoração sobreleva os méritos que, porventura, terei tido no decorrer do processo revolucionário que se desenvolveu, no nosso país, logo a partir do dia 25 de Abril de 1974, após o derrubamento do governo facista-colonialista, que oprimiu o povo português e os povos das colónias, ao longo de quase meio século.

É meu dever indeclinável associar, estreitamente, a esta elevada distinção a aliança Povo-MFA, que foi motor das conquistas de Abril.

Razões de ordem pessoal, nomeadamente, diversas situações do meu estado de saúde, hoje, felizmente, ultrapassadas, impediram, como era meu desejo, que me deslocasse a Havana, a fim de que a cerimónia de imposição fosse realizada em ocasião propícia.

Esta ocasião veio a ser hoje, em Lisboa, na presença do Embaixador Reynaldo Calviac, representando o Presidente da República de Cuba, e na vossa presença.

O significado da Playa Girón é grande. São palavras do próprio Chefe da Revolução Cubana: “... a partir daquela data o destino dos povos deste continente, na liberdade e na dignidade que conquistava um deles, frente à agressão do poderoso império que os avassalava a todos, seria diferente. Porque, diga-se o que se diga, a partir de Girón, todos os povos da América foram um pouco mais livres.”

Esta cerimónia realiza-se num momento em que a situação que vive Cuba é de tal modo grave que, Fidel Castro declarou no passado dia 1º de Maio, na Praça da Revolução:
“Em nome do milhão de pessoas aqui reunidas neste Primeiro de Maio desejo enviar uma mensagem ao mundo e ao povo norte-americano. Não desejamos que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas que podem ser amistosas se perca numa contenda. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, a ponto de preferir desaparecer da face da terra, antes de renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas dos seus melhores filhos. Acompanha-nos a convicção mais profunda de que as ideias podem mais que as armas, por sofisticadas e poderosas que estas sejam.
Digamos como o Che ao despedir-se de nós: ATÉ À VITÓRIA SEMPRE!

” Neste momento, de tão pesadas e concretas ameaças para a independência e a autodeterminação de Cuba desejo afirmar, a minha profunda e bem sentida solidariedade com a Revolução Cubana.

Cuba, bloqueada, demonstra, a todo o mundo, que é possível resistir ao imperialismo, ao império norte-americano.
Mas esta resistência não é um acaso da história.
Ela é fruto de 44 anos de luta heróica, pela independência nacional e pela autodeterminação, pela realização de objectivos patrióticos e libertadores, luta inspirada, dia a dia, pelos elevados exemplos de patriotas, como Céspedes, Maceo, Martí, o pai da Revolução.

Ela é fruto da determinação e do empenhamento exemplares do povo e da direcção política e ideológica da Revolução, na construção de uma sociedade de equidade e de justiça social, tendo, como horizonte, o socialismo.

Ela é fruto da própria ética da Revolução desde o seu primeiro dia. Dirigindo-se aos amigos de Cuba, no passado dia 25 de Abril, o Presidente Fidel Castro afirmou, com veemência:
“Continuaremos a ser íntegros e consequentes, como temos sido desde 1959 até hoje. Jamais terão motivos para envergonhar-se do seu nobre apoio.”

Cuba, sofrendo um criminoso e cruel bloqueio, que prentendia reduzí-la à rendição, pela fome, pela miséria, pela falta de medicamentos, viu-se forçada, para, defender a Revolução e o futuro, a adoptar medidas que não estavam no seu horizonte revolucionário e que o contrariam.

Mas, Cuba, fiel aos princípios fundadores da Revolução resiste. E pelo seu extraordinário exemplo de resistência, temos o dever de afirmar a nossa gratidão. Cuba é credora da gratidão e da solidariedade de todas as forças progressistas do mundo.

Senhor Embaixador:
Solicito-lhe que transmita ao Presidente da República de Cuba, Fidel Castro, ao Ministro das FAR, Raul Castro, aos membros do Conselho de Estado e ao Povo Cubano a expressão da grande honra que sinto do mais fundo do meu coração, e a minha gratidão por tão elevada distinção.

Vasco Gonçalves

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

21/Jul/03

Unidade POVO/MFA editou às 18:35
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2007

Grândola Vila Morena

Unidade POVO/MFA editou às 17:34
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2007

Relembrando...

Uma praça de gente madura

Encabeçou quatro Governos Provisórios na época do Processo Revolucionário em Curso (PREC). Vasco Gonçalves, um militar de carreira ligado à Revolução dos Cravos esteve na Covilhã.

Abril 2004

Agarrou nos destinos do País logo após o derrube do regime. Vasco Gonçalves, militar de carreira que chega a general através do Movimento das Forças Armadas (MFA) e de todo o papel desempenhado no derrube do fascismo, explica os tempos conturbados do PREC. O anfiteatro da Parada, local onde em tempos estiveram também as vozes e os comandos militares da Covilhã, enche-se agora para ouvir o chefe dos II, III, IV e V Governos Provisórios. A esta personagem se devem canções como "Força, força companheiro Vasco", mas também "reformas essenciais que prepararam Portugal para a adesão à Comunidade Europeia". A convite do Partido Comunista, o general Vasco trouxe à Covilhã um resumo alargado das medidas que julgou "melhores para uma nação à beira da guerra civil". Palavras conturbadas por uma voz cansada, a mesma que contribuiu para "a viragem à esquerda de toda uma pátria". Logo na criação do MFA, Vasco Gonçalves lembra que "existiam cores políticas de todos os quadrantes". No entanto, considera natural que após a libertação de um regime de "extrema-direita" e com o aparecimento do PCP e PS, "o País estivesse mais simpatizante com políticas dessa área".

Aliança Povo/MFA foi motor da revolução

"A terra para quem a trabalha", um slogan repetido vezes sem conta pelo Portugal de Abril. Uma das mais importantes, mas "também das mais polémicas" medidas tomadas pelo executivo de Vasco Gonçalves, prende-se com a Reforma Agrária. A constituição de cooperativas e a distribuição de terras "foi uma medida difícil". No entanto, o general não sente que "tivesse agido de forma incorrecta". Antes pelo contrário, "era necessário tirar da fome e da miséria um povo oprimido". O fosso entre ricos e pobres, naquele tempo "era imenso". Talvez venha daí a explicação para a "adesão expontânea" dos populares ao movimento revolucionário. O motor da revolução "foi o povo e a sua ligação às forças armadas".

Políticas desajustadas

Mesmo fora da vida política activa, o criador do "Gonçalvismo" tece várias críticas ao actual Governo. Para Vasco Gonçalves, "um homem que será sempre contra a liberalização dos mercados", as actuais políticas de contenção "vêm hipotecar o futuro do País". Para o antigo primeiro-ministro, deveria de existir "uma maior justiça social", em todos os campos. Outra das medidas que julga "contrárias ao espírito português" tem a ver com a ajuda de Portugal aos Estados Unidos na invasão do Iraque. Vasco Gonçalves mostra-se contra "ideias terroristas para combater o terrorismo". O apelo "para mudar toda esta situação", fica na arma do povo, "aquela que Abril veio implementar e que é a mais importante de todas: o voto".

Por Eduardo Alves
 urbi et orbi

Unidade POVO/MFA editou às 19:16
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Terça-feira, 15 de Maio de 2007

Sobre o antes e o agora...

Sobre a Revolução de Abril
e a situação actual

por Gen. Vasco Gonçalves [*]

 

No dia 25 de Abril de 1974 o Movimento das Forças Armadas, derrubou o governo fascista-colonialista.

Nesse mesmo dia, apoiando o golpe militar desencadeou-se um espontâneo e vigoroso levantamento popular e nacional.

O impulso das massas populares e dos trabalhadores exigindo um empenhamento social e político mais alargado e profundo do que o inicialmente previsto pelo Movimento das Forças Armadas, fez que a relação de forças dentro do Movimento fosse favorável aos militares que mais se identificavam com as aspirações, as reivindicações, os interesses populares, e imprimiu uma dimensão revolucionária ao golpe militar.

Foi nestas condições que surgiu a aliança Povo-MFA, que foi o motor da Revolução.

A Revolução de Abril foi a mais profunda e a mais popular das revoluções portuguesas.

Trouxe ao nosso povo, às suas classes mais desfavorecidas as maiores conquistas da sua história de oito séculos.

Pôs fim à guerra colonial e deu um impulso decisivo na criação de condições para a independência não neocolonialista de Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Guiné-Bissau (embora este país já tivesse proclamado a sua independência numa parte do seu território).

Portugal deixou de ser um país isolado cujo governo se submetia aos interesses do imperialismo e passou a praticar uma política de abertura e diversificação das relações internacionais, assumindo uma política de independência nacional, como o atestam o processo de descolonização e as profundas transformações económicas e sociais realizadas no curto período de Abril de 1974 até ao último trimestre de 1975.

É de salientar que o processo da Revolução de Abril mostrou que a liquidação do poder económico dos grupos monopolistas e do latifúndio era uma condição necessária para a instauração de uma autêntica democracia política.

A Revolução de Abril:
 

  • Instaurou um regime de amplas liberdades, garantias e direitos políticos, cívicos, culturais, sindicais e laborais.
     
  • Destruiu as bases do capitalismo monopolista de estado e dos grupos económicos monopolistas.
     
  • Nacionalizou a banca e as companhias de seguros, os sectores básicos da produção, as principais empresas de transportes e comunicações, criando um sector público de peso determinante na nossa economia, na regulação do mercado e no comércio externo.
     
  • Realizou a Reforma Agrária com a expropriação do latifúndio, dando origem à constituição de unidades colectivas de produção constituídas e dirigidas por trabalhadores assalariados rurais, trabalhadores sem terra, pequenos e médios proprietários rurais.
     
  • Aprovou uma nova lei do arrendamento rural, e devolveu aos povos os terrenos baldios.
     
  • Melhorou e dignificou substancialmente as condições de vida dos trabalhadores em geral e das mais vastas camadas da população.
     
  • Promoveu transformações progressistas no ensino, e um extraordinário aumento da frequência escolar.
     
  • Aprovou a criação do Serviço Nacional de Saúde, e desenvolveu a cultura e o desporto populares.

A Revolução de Abril terá sido, na Europa Ocidental e depois da Comuna de Paris, a maior ofensiva feita contra o sistema capitalista.

Ao longo do processo histórico da Revolução de Abril foi surgindo, nas suas linhas gerais, um modelo de transição pacífica, democrática e pluralista para o socialismo.

Este modelo foi sendo elaborado na prática, nas condições políticas, sociais e culturais do nosso país, fortemente determinadas pela participação e intervenção populares, pela existência do Movimento das Forças Armadas, pela aliança Povo-MFA, na dinâmica de uma acesa luta de classes, no contexto da crise da economia capitalista de 1973-75 e das relações internacionais caracterizadas pela guerra fria.

Às Forças Armadas foi atribuída em lei , antes da aprovação da Constituição da República e, depois, no próprio texto constitucional a missão «histórica de garantir as condições que permitam a transição pacífica e pluralista da sociedade portuguesa para a democracia e o socialismo».

O modelo correspondia à acção, transformadora, directa, revolucionária exercida pelo movimento popular, pelo MFA, e pelos Governos Provisórios.

Constituía uma promessa fundamental e um ponto de honra para o MFA, a realização de eleições livres para a Assembleia Constituinte, no prazo prometido.

Os sectores da sociedade portuguesa que temiam a dinâmica revolucionária, opuseram-se a ela, procurando subordinar o movimento social e quaisquer profundas transformações a uma anterior legalidade constitucional, legitimada pelo sufrágio universal opondo, portanto, grandes reservas à intervenção dos militares na vida política e à crescente influência das massas trabalhadoras e do movimento sindical e popular.

Até um certo momento os dois processos, o revolucionário e o eleitoralista, não divergiram de modo substancial.

Os governos provisórios de coligação do MFA com os principais partidos políticos participaram em ambos.

Mas, o agravamento das divergências de interesses de classes, a contra-revolução, a luta política, social, económica para defender e consolidar e situação democrática, a persistência dos choques ideológicos e políticos, a satisfação de reivindicações e aspirações populares básicas, a progressiva organização e importância da actuação das massas laboriosas e seus partidos políticos (nomeadamente o Partido Comunista Português) fizeram que os dois processos fossem entrando numa confrontação que se agudizava à medida que se aprofundavam as conquistas da Revolução.

Subjacentes a este confronto estavam, na verdade, sob diversas formas, a ideologia da propriedade privada, a luta de classes, o medo da ascensão das classes trabalhadoras ao poder.

A aprovação e promulgação da Constituição Portuguesa em 1976, a qual institucionalizou todas as conquistas democráticas e revolucionárias alcançadas antes (e, portanto, o modelo de transição pacífica e pluralista para a democracia e o socialismo) ainda foi possível devido ao impulso do processo revolucionário que se desenvolvera antes, à vontade da maioria dos deputados constituintes, , aos esforços dos militares do MFA que se haviam afastado da esquerda militar mas que eram democratas, e à posição tomada pelo Presidente da República que também era o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e havia promulgado até à data da aprovação da Constituição todas as conquistas revolucionárias que haviam surgido ao longo do processo.

Quando a Constituição foi promulgada já estava muito avançado o processo da mudança da correlação de forças e não havia uma base social de apoio suficiente para a consolidação e a execução de uma política de acordo com o ordenamento económico-social constitucional.

Para além das contradições já, atrás, enunciadas julgo dever salientar como causas da mudança da correlação de forças políticas, sociais, civis e militares:
 

  • as divergências e oposição de interesses entre democratas que haviam estado unidos, embora com muitas dificuldades, contra a política do regime fascista-colonialista e posteriormente unidos no apoio ao MFA e à Revolução.
     
  • uma ofensiva psicológica e ideológica bem sucedida contra os sectores revolucionários do MFA, identificando-os com o Partido Comunista.
     
  • divisões profundas dentro da esquerda do MFA.
     
  • a persistente influência da ideologia burguesa e pequeno-burguesa entre os militares do MFA, bem como a influência dos resultados eleitorais para a Constituinte, fortemente favoráveis às correntes social- democratas (Partido Socialista e Partido Popular Democrático) .
     
  • o propósito dos partidos vencedores das eleições de impedirem a consolidação das conquistas alcançadas aliás, com a sua participação no governo, em contradição com seus próprios programas socialista e socializante.
     
  • a permanência da ideologia pequeno-burguesa e burguesa entre a maioria dos trabalhadores e da população,
     
  • a permanência da larga influência, entre a população, dos sectores mais conservadores e retrógrados e até caciqueiros do clero,
     
  • o apoio dado à contra-revolução pela social-democracia internacional e pela democracia-cristã internacional e pelo imperialismo.

Em contraste com o ordenamento económico-social da Constituição de 1976, a política que tem vindo a ser levada à prática, e coberta por sucessivas revisões constitucionais que introduziram profundas alterações estruturais, tem sido a da globalização neoliberal nos diversos domínios da actividade política, económica, social, das relações exteriores, da comunicação social e das Forças Armadas.

O neoliberalismo tem provocado o agravamento das desigualdades, o que é uma das suas características estruturais.
Provoca o aumento do desemprego, a desindustrialização, a ruína da agricultura e das pescas, a degradação do ambiente, a mercantilização de todas as actividades da sociedade, a tomada de sectores estratégicos da nossa economia por grandes corporações transnacionais, em consórcios maioritários com grupos económicos nacionais, a degradação e a restrição das funções económicas e sociais do Estado.

A política neoliberal provocou a destruição da reforma agrária, o desmantelamento do aparelho produtivo, a redução radical do sector público da economia, a limitação dos direitos sindicais e laborais, a integração subordinada na economia europeia e mundial.

A política neoliberal tem desenvolvido uma tenaz e continuada ofensiva contra os princípios da justiça social, da equidade social, da democratização da cultura.

A política de coligação da direita com a extrema-direita é a mais poderosa tentativa de liquidação do 25 de Abril, no contexto de uma perigosa situação internacional. A não ser ultrapassada rapidamente corremos o risco de uma irreversível crise no presente quadro constitucional.

O facto de pertencermos à União Europeia, na qual são relativamente estáveis as instituições que caracterizam a democracia burguesa, tende a criar em muitas pessoas a convicção de que a democracia entre nós é irreversível.

Esta atitude, por um lado, não tem em conta a grave ameaça para a democracia que representa um governo como o actual, na presente situação internacional, caracterizada pela globalização neoliberal, comandada pelo EUA e os seus poderosos aliados, e, sobretudo caracterizada pela «guerra preventiva e sem fim» contra o terrorismo, de que são exemplo as guerras do Iraque, do Afeganistão e Palestina.

Por outro lado, é uma atitude desmobilizadora porque o futuro de Portugal depende dos portugueses.

Trata-se de um problema político, mas também, de um problema cultural, em sentido amplo: encontrar as formas de consciencialização e mobilização para a acção colectiva, para a compreensão do que é o regime democrático, e o quadro em que essa acção colectiva pode livremente exercer-se.

O modo de produção capitalista, em consequência da sua própria essência, das leis do seu desenvolvimento, das condições necessárias à sua reprodução e perpetuação, conduziu à globalização neoliberal.

Esta política, comandada pelos Estados Unidos da América, sustentada pela sua força militar e dos seus poderosos aliados da NATO, embora com contradições internas e externas, procura impor-se a todo o mundo.

É uma política de decidida penetração generalizada e cada vez mais expandida da ideologia e da prática do consumismo nos hábitos de comportamento das pessoas e na formação da sua consciência social e política.

O 11 de Setembro permitiu que os interesses económicos da globalização neoliberal, pudessem ser acelerados sob o manto ideológico da luta contra o terrorismo.

Passámos a assistir à banalização da intervenção militar externa deliberada, à margem do Direito Internacional, a pretexto de levar a democracia «aos povos não democráticos», cujos países, curiosamente, dispõem de recursos naturais estratégicos.

E a guerra contra o terrorismo é estabelecida em duas vertentes.

Como uma guerra preventiva, a pretexto da defesa dos interesses próprios, onde e quando esses interesses se sentirem ameaçados, e como uma «guerra sem fim».

Tudo isto justificando a corrida aos armamentos nucleares, químicos, radiológicos e biológicos.

Estamos perante uma política de dominação unipolar planetária por parte da mais forte potência militar que jamais existiu sobre a terra e com ela a uma ofensiva global do capitalismo que procura impor-se a todo o mundo como sistema único de organização da sociedade.

Será possível que a acção consciente, organizada e determinada dos trabalhadores e dos povos, seja capaz de criar condições para pôr fim a esta ofensiva global do capital e substituir a sociedade capitalista por uma sociedade mais justa, a socialista?

Será possível, neste quadro pôr fim à política de direita que vem sendo feita em Portugal, há cerca de 30 anos?

Ao contrário do que pode parecer o capitalismo está em crise. E a crise que o capitalismo, hoje, vive não é conjuntural mas estrutural. Por isso o sistema procura impor, a todo o mundo, esta globalização, como fase final, ou definitiva, da sua evolução histórica.

Contudo, o capitalismo não é reformável, porque as relações sociais em que se baseia e sem as quais não pode sobreviver são intrinsecamente contraditórias, injustas e de exploração do homem.

Assim, a cada momento, se agrava o processo de globalização, cuja «regulação pseudo equilibradora» não é, hoje, «a mão invisível do mercado» de Adam Smith, mas a força militar liderada pelos EUA. É o próprio Kissinger que o afirma.

O novo imperialismo planetário necessita do controlo dos recursos naturais e das guerras «preventivas», e de «intervenção humanitária» para garantir a sua dominação e superar a sua fraqueza económica intrínseca.

Com efeito o imperialismo americano vive hoje uma crise económica estrutural com tremendos défices na balança de pagamentos, no orçamento federal, no endividamento interno, e na balança comercial e energética.

Espelho desta situação é a queda do dólar em relação ao euro.

O capitalismo necessita da guerra e da fome e da miséria de milhares de milhões de pessoas.

O seu domínio sobre a ciência e a tecnologia, utilizadas, permanentemente, como meios para a superação da crise estrutural do sistema, tem levado a consequências dramáticas no meio ambiente, colocando em risco a continuidade da vida humana sobre o planeta, tal como a conhecemos hoje.

Por isso se coloca, hoje, no horizonte histórico do homem, a necessidade de travar a actual ofensiva do capitalismo neoliberal e de o substituir por uma sociedade orientada para a construção do socialismo.

Mas não haverá uma terceira via, a qual tem sido defendida por partidos socialistas e sociais-democratas?

Penso que não.

Os seus defensores ao pretenderem colocar-se entre capitalismo e socialismo têm na prática adoptado políticas neoliberais contrárias aos interesses dos trabalhadores e dos povos dos seus países, como se tem por exemplo verificado com a experiência recente e actual dos governos socialistas e sociais-democratas na Europa, os governos de Jospin em França, Shroeder na Alemanha, Blair na Grã-Bretanha.

É que não é possível, dada a essência do sistema capitalista, uma via intermédia entre o capitalismo e o socialismo.

A gravidade da situação é a de que a globalização neoliberal corresponde a um grau de concentração transnacional da propriedade, da produção, do poder político comandado pelos monopólios transnacionais, fundidos com os Estados das principais potências imperialistas.

Por outro lado a revolução científico-técnica não pode adiar indefinidamente a explosão das contradições antagónicas e insolúveis do sistema, a sua incontrolabilidade intrínseca, essencial.

Não estamos em condições de prever o futuro próximo.

Mas conhecemos já ao que pode conduzir a política actual.

Impõe-se, portanto, a luta contra o neoliberalismo e contra as guerras que o sistema desencadeia, luta que tenha sempre presente, como objectivo final, a superação do capitalismo.

As lutas nacionais não devem ser desligadas das acções internacionais.

Só a luta, sobre a base de problemas concretos, procurando mobilizar as consciências e os corações, estimular a disponibilidade para a acção ao longo da qual se promoverá a participação e a intervenção populares, em todos os domínios da vida da sociedade, conduzirá o homem a ser sujeito do seu próprio destino.

Será a soma de todas as lutas, a sua articulação a nível internacional, a sua organização, que poderão levar à mudança da correlação de forças, a nível mundial.

É necessário apoiar, estimular, articular os movimentos contra a guerra e de resistência anti-imperialista que, hoje, vão surgindo e se desenvolvem em todo o mundo.

Nestas condições tão difíceis e tão exigentes para cada um de nós, a missão das forças democráticas e progressistas, no nosso país, é a luta quotidiana, continuada, persistente, tenaz, inteligente, firme, pela consciencialização política e social da nossa população, para a efectiva participação e intervenção profunda na construção do seu próprio futuro.

Luta que deve ter por base os problemas mais concretos, mais diversos, em todos os domínios da vida da nossa sociedade.

Luta contra a guerra, contra o armamentismo.

Luta que deve ser pluriclassista porque a ameaça ultrapassa os limites das classes trabalhadoras.

Luta, ela própria, formadora da consciência política e social, mobilizadora de vontades e corações, da disponibilidade pessoal e colectiva para enfrentar e combater, de modo vitorioso, as consequências da política neoliberal globalizante.

Luta que tem por objectivo inverter a presente correlação de forças políticas e sociais, civis e militares, para pôr fim à política de direita e criar condições para a política alternativa de que Portugal precisa.

Uma política que procure satisfazer os mais legítimos anseios e interesses da grande maioria da nossa população, de defesa e consolidação do regime democrático, de desenvolvimento e de progresso, de independência nacional e de paz, apoiada nos princípios programáticos da Constituição da República.

Luta na qual têm um papel decisivo a existência dos sindicatos, dos partidos políticos, dos movimentos sociais e associações democráticas e progressistas, nos mais diversos domínios da actividade social, que lutem por uma transformação radical da sociedade.

Luta através da qual se irá ganhando espaço decisivo nas instituições no poder legislativo, no governo, no poder local e regional.

Luta ao longo da qual será acumulada a força social e política necessária para a mudança e para a instauração de um governo que faça uma política que cumpra o princípio constitucional fundamental do preâmbulo da Constituição da República: "abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno".

[*] Intervenção apresentada no Encontro Internacional “Civilização ou Barbárie”, Serpa, Setembro/2004.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

16/Fev/05
Unidade POVO/MFA editou às 18:40
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Domingo, 6 de Maio de 2007

Dinamização Cultural e Acção Cívica

Vasco Gonçalves

e as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA

Passados seis meses do 25 de Abril de 1974, na vigência do III Governo Provisório chefiado por Vasco Gonçalves, é apresentado no Palácio Foz em Lisboa o Programa de Dinamização Cultural que iria ser coordenado pela Comissão Dinamizadora Central (CODICE), estrutura da 5ª Divisão do Estado-Maior General das Forças Armadas,  em colaboração com a Direcção-Geral da Cultura e Espectáculos.


Para o então Primeiro-Ministro, um dos principais objectivos desta iniciativa «era levar os militares, o MFA, às populações e apoiá-las no desenvolvimento, na tomadas de consciência dos problemas que elas tinham. [...] Pretendíamos, sobretudo, transformar as ideias de fundo dessas populações. Não pretendíamos transformar essas populações em socialistas ou em comunistas. Queríamos transformá-las em gente democrática, gente aberta a analisar as situações e arrancá-las de toda aquela carga de fascismo que durante 48 anos tinha pesado sobre elas». A par destes objectivos, Vasco Gonçalves defendia, também, que as Campanhas tiveram um importante papel na democratização e dinamização das Forças Armadas, sublinhando o facto de os militares que as protagonizaram regressarem «mais ppolitizados» devido ao contacto com as diferentes realidades que procuravam transformar. Nesse sentido, e numa perspectiva cara à Primeira República, Vasco Gonçalves evocou, numa sessão de esclarecimento realizada no Sabugo (Sintra) em Fevereiro de 1975, a figura do «militar-educador». Este deveria aprender com aqueles que procurava educar, com aqueles que procurava ensinar, com aqueles que procurava ajudar. Na sua óptica, a expressão que melhor caracterizava a Dinamização Cultural era o «trabalho quotidiano» porque as Campanhas constituíam uma aprendizagem mútua, um processo de conhecimento do país que a revolução surpreendeu. Para Vasco Gonçalves o grande impulsionador das Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA fora Ramiro Correia, o «comandante-médico que até fazia versos [...] um idealista no bom sentido do termo». Na génese desta iniciativa, salientava a importância da Acção Psico-social utilizada na guerra colonial, assegurando que «muitos militares vieram influenciados com isso e consideravam-se em condições de desenvolver uma acção desse nível dentro do nosso proprio país, com os seus compatriotas». [...] a relação entre os militares e a população adquiriu novos contornos com a transição democrática e, para Vasco Gonçalves, as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA seriam uma ferramenta axial no fortalecimento desta relação, eternizada na expressão aliança Povo-MFA a qual condensava os ideais da facção progressista do MFA «que eram sobretudo os da libertação da nossa pátria, do nosso povo, da realização das aspirações básicas». Utilizava o termo «missão» para aludir às Campanhas, afirmando serem estas «um trabalho gigantesco para as nossas possibilidades», referindo-se à insuficiência de meios técnicos e humanos que dispuseram para a concretização desta proposta da agenda revolucionária. «Foi uma das nossas debilidades fundamentais» - afirmava. Num dos muitos cartazes que desenhou [...] João Abel Manta pareceu representar a «esperança e a confiança» que Vasco Gonçalves depositava nesta iniciativa ao atribuir-lhe uma centralidade no célebre cartaz MFA-Vasco-Povo. Povo-Vasco-MFA (1975), onde surge ladeado por duas figuras híbridas meio soldado, meio povo, reforçadas pela frase «Força, Força Companheiro Vasco / Nós Seremos a Muralha de Aço». E foi da seguinte forma que Vasco Gonçalves se referiu a este cartaz: «O cartaz é muito terno, eu era o companheiro Vasco, mas para certo sector da população, não para o país». (Texto de Sónia Vespeira de Almeida, com base em entrevista a Vasco Gonçalves (2002) no âmbito da sua tese de doutoramento em Antropologia. Inserido no folheto comemorativo da homenagem a Vasco Gonçalves, realizada na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, em 21 de Outubro de 2006)

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